sábado, 25 de dezembro de 2010

He cried and He died for us

Concluindo as postagens de hoje, não poderia faltar uma especial de Natal.

Eu sempre gostei desta data festiva, nós costumávamos reunir a família na casa da praia, minha mãe cozinhava uma ceia maravilhosa, abríamos os presentes à meia noite e na manhã do dia 25 tomávamos café de frente para o mar.

Até que a minha família se partiu e o Natal perdeu um pouco do charme... Ficou difícil conciliar as vontades e desejos de todo mundo, agradar ao mesmo tempo pai e mãe, estar com um mas pensando no outro... Enfim, nenhuma tragedia, mas um pouco menos de graça.

Este ano em que passo pela primeira vez o Natal longe da minha família, é o ano em que eu compreendi o verdadeiro significado desta data: Jesus nasceu! Tudo bem, isso todo mundo sabe... Mas Ele não só nasceu pra dar início a um novo calendário cristão. Ele veio ao mundo representar o amor do Pai por nós, Ele nasceu e viveu como exemplo de caminho que devemos seguir, e foi o cordeiro que morreu pra que pudéssemos ser livres do pecado que nos afasta de Deus e receber a Sua graça.

Muitos dizem que tenho sorte, que estou aqui e as coisas têm dado certo por eu ser uma pessoa de sorte. Na verdade, tudo que eu tenho é o que vem de Deus, porque eu confiei Nele e acredito que Seu filho morreu por mim. Eu peço e Ele me atende. Ele sabe do que eu preciso. Muitas vezes eu não mereço, eu peco, mas Ele é misericordioso. Muitas vezes eu esqueço, mas meus irmãos - de longe - intervêm por mim. Antes de eu vir pra cá Ele me disse: "Eu estou preparando tudo pra você, vou cuidar da tua jornada", e por isso nada me aflige.

Ontem, no culto, as palavras do pastor foram pra nos lembrar de que Ele chorou e Ele morreu por nós. Por isso hoje é um dia feliz, porque Ele, o Salvador, nasceu. Merry Christmas!

PS: Só pra não faltar o café da manhã natalino (não de frente  pro mar, mas Manhattan também tá valendo!), vejam o que o Ronan preparou pra nós:

Brownie, croissant de queijo brie e geleia de pimenta, biscoitos Godiva chocolatier... sem falar dos detalhes: toalha natalina, louça de festa...

Walking around

Ainda na sexta-feira, fui até o AVRA (restaurante grego) pra apresentar meu social security numer (sim, recebi!!!). O Socrates, que conversou comigo, foi bem atencioso e ficou de me ligar pra marcar meu training. Tive a impressão de que posso me sentir melhor ainda lá do que no Cipriani, mas a princípio manteria os dois empregos...

De lá, a Vivi e eu seguimos pra Grand Central Station, fotografando o Chrysler Building também.



Almoçamos pizza e comemos cupcakes da Magnolia Bakery de sobremesa (http://www.magnoliacupcakes.com/home.php).


Fomos até o Rockfeller Center atrás do presente do Ronan, no meio da multidão, mas conseguimos fotos com a árvore:


Com tudo em mãos, inclusive o mapa, conseguimos nos perder a caminho do restaurante onde fizemos nossa ceia...


Acabamos chamando um taxi que nos deixou lá, um lugar decorado com lustres feitos de cabides, borboletas de discos de vinil, porta de trem de metrô, cadeiras de placas de trânsito, sofás feitos de banheira, e com tudo isso aconchegante, chamado The Collective (http://collectivecafe.com/gallery.html):



Depois de assistir a um culto na Primeira Igreja Presbiteriana de Nova York, onde louvamos a Deus à luz de velas, junto com um coral e um órgão, nós ainda fomos de madrugada até o Washington Square Park tirar fotos da famosa pracinha que aparece no Friends...


Com o Empire State no fundo (iluminado de verde)
A noite acabou em brownie e sorvete de baunilha e episódios natalinos de Friends e Two and a Half Men. Delícia!


Art can provide a balm for the modern soul

No dia 24 a Vivi e eu fomos fazer mais programas turísticos. Quando saí do metrô em Manhattan o órgão da igreja tocava uma música natalina... Foi então que me dei conta: "Estou passando o Natal em Nova York!!!".

Prestei atenção nos sons e cheiros da cidade pra poder descrever aqui... Sinos, órgãos, sax, violinos e vozes por toda parte; pretzels e hot dogs servidos nas ruas, bagels, pães e donuts assando são capazes de aquecer o corpo pelo olfato...

Prosseguimos até o MoMA - The Museum of Modern Art (http://www.moma.org/) com pouco tempo pra observá-lo... Assistimos a Performance 9: Allora & Calzadilla, em que um pianista toca o Hino à Alegria, de Beethoven, de dentro de um piano, se movimentando entre o público. A sensação de ver alguém criando arte, mudando conceitos bem na tua frente é inexplicável.


Depois fomos diretamente ao que mais interessava, pulando 4 andares, pra ver Van Gogh, Picasso, Cézanne, e o por mim tão esperado Monet. Eu lembrei das aulas de arte da Maria Cecília e fiquei emocionada com a possibilidade de presenciar as obras de Kandisnsky, Matisse, suas assinaturas originais...

A Vivi estudando Les Demoiselles d´Avignon de Picasso
O tempo se esgotava e fiquei agoniada por não encontrar Monet. De repente, de outra sala avistei algo que poderia ser o que eu estava procurando... A medida que me aproximava as lágrimas já escorriam e finalmente encontrei uma sala repleta de obras daquele que concebeu a ideia que entitulou este post. Eu não entendo nada de arte, mas de emoção, I do.

Agapanthus

Enjoy your staying

Graças a Deus, não estou aqui só a trabalho e principalmente agora que a Vivi chegou dá pra curtir um pouquinho... Quinta-feira assistimos The Rockettes (http://www.radiocitychristmas.com/) no Radio City Music Hall. A sincronia delas é impressionante, o que faz o espetáculo lindo!




Encontramos o Ronan e fomos caminhando até o Hard Rock Cafe (http://www.hardrock.com/locations/cafes3/cafe.aspx?LocationID=99&MIBEnumID=3), passando pela Times Square...

Times Square

Hard Rock Cafe

A companhia desses dois está sendo maravilhosa! Nossa parceria deu muito certo e é como se eu tivesse uma família aqui! A Vivi é uma super amiga que trouxe brilho, curiosidade, alegria e animação. O Ronan é praticamente um irmão, ele cuida, acolhe, auxilia e ainda nos agrada com seus mimos!

No final da noite, cerca de 1a.m., ainda passamos na Macy's (http://www.macys.com/), outra loja de departamento, que ficou aberta 24h na véspera de Natal, onde eu quis tirar fotos com a primeira escada rolante do mundo:

"You're too nice to be here"

Deixei a Vivi descansar e fui pra minha primeira jornada de trabalho no Cipriani. Fiz boas gorjetas já no primeiro dia, graças a um príncipe - literalmente - que recebemos (não vou especificar a origem pela política de confidência do restaurante).

Eu gostei do ambiente de trabalho, fui bem tratada (mi amore, bella, etc.), posso tomar cappuccinos e lattes a vontade, ouço diversas línguas (espanhol, italiano, francês e inglês... e português), e ganho boas refeições!

No segundo dia eu comecei a me apaixonar pelo local, estava gostando dali e fiquei empolgada. No final do expediente comentei com os outros garçons, que me levaram num bar.

Aí eles me alertaram pra tomar cuitado, é tudo fake, as pessoas se esfaqueiam pelas costas. Um me disse: "You're too nice to be here".

Bom, serviu pra me deixar atenta e não ficar tão empolgada com as aparências. Eu já tinha percebido que NY era pesada. Aliás, eu sabia desde o início que não seria fácil, mas não considerei que pudesse ser tão difícil. Está sendo um choque enfrentar isso... Talvez não dê pra generalizar, mas pra  sobreviver aqui se precisa de uma de agressividade que não faz parte da minha essência.

Lord, hear me

Acordei muito deprimida no sábado. Solidão, frio e ainda um pouco de culpa pela noitada da noite anterior... Chorei e orei muito e fui me socorrer da minha mãe pelo skype. Ela me confortou e aconselhou: "filha, vai dar uma volta, convida o Ronan pra assistir a um cineminha..."... Foi a ideia perfeita, vinda diretamente em resposta as minhas preces.

Com um monte de coisas pra arrumar em casa, eu falei pro Ronan: "preciso sair!" e ele respodeu: "vamos!". Fomos assistir The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader, e vi que Deus está ao nosso lado em todos os momentos, só precisamos buscá-lo. No final, Aslan fala pra Lucy que ela pode encontrá-lo em seu (nosso) mundo com outro nome - Jesus.

Depois jantamos no World Financial Center, maravilhosamente decorado para o Natal:

(Não sou eu na foto...)
Nem isso foi suficiente pra me deixar totalmente curada... Mas no final do domingo já me sentia bem melhor e ansiosa pra receber a Vivi que chegaria no dia seguinte.

Saí animada pra buscá-la na estação de metrô que deixa os passageiros do JFK (+- 1h30min daqui). O dia estava lindo...
(Adorei a bandeira...)
Foi muito bom ver uma fisionomia conhecida e dizer no plural "WE ARE in NY"!


Saying goodbye

Ainda não estou me despedindo, não... O título é sobre a mudança de alguns amigos que fiz por aqui.

Semana passada trabalhamos bastante pra tirar as coisas do apartamento do Nei, que voltou pro Brasil. Foram uns 3 dias carregando móveis e utensílios de lá pra cá... Fiquei ao mesmo tempo cansada e mais tranquila por poder dar algo em troca pela excelente recepção que recebi. É... gentileza gera gentileza (como diz o Nei)! O abraço brasileiro dele que vai fazer falta!

Na quinta-feira fomos até o aeroporto pra embarcar o Nei e a Vitória, que também é uma garotinha excepcional, cheia de personalidade. Ela saiu de NY pra passar as férias num haras, em Minas, vestindo jaqueta Polo Ralph Lauren e chapéu de cowboy, carregando seu Perry nos braços (um ornitorrinco de pelúcia). Eu fico admirada pela Vitória e tinha receio de que ela não gostasse muito de mim, mas o Ronan me confortou dizendo que é só o jeito dela.

No dia seguinte, eu me forcei a sair de casa à noite pra conhecer e me despedir do Lucio, também blumenauense em retorno às raízes. Jantamos no Macao (http://www.macaonyc.com/), um bar/restaurante em TriBeCa. Depois fui apresentada à vida noturna nova-iorquina na balada do 1 OAK (http://1oaknyc.com/), dispensável... Praticamente só toca HipHop, eles dançam de um jeito bizarro, e pra variar, tudo é aparência. Mas no geral, foi legal ter feito algo diferente (também andei de taxi pela primeira vez!), e ter conhecido o Lucio, que é um quirido (rs).

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Amazed

Eu não sei bem por onde começar... Tantas coisas aconteceram de ontem pra hoje!

Saí de Jersey ontem de manhã pra distribuir alguns currículos em Manhattan e dar uma volta pela cidade. Eu estava me sentindo triste, apesar de saber que muitos fariam qualquer coisa pra estar no meu lugar, e fui orando: "Lord, open my eyes" (sim, em inglês!), e ouvia a resposta: "Girl, look around"...

Um garoto, ao me ver com o guia de Nova York em mãos, me abordou querendo saber de onde eu era, mas não fui muito receptiva e ele se despediu e disse: "Enjoy your trip, I love you".

Depois me alegrei vendo os esquilos no City Hall Park e uma senhora me ofereceu amendoins pra alimentá-los... Olha a cara de felicidade:

Não repara no modelito...
Eu também passei a entender porque Nova York é o centro do consumo, e me surpreendi ao sair intacta da 21st Century, que é tipo uma loja de departamento, mas vende Dolce & Gabanna, Calvin Klein, DKNY, Guess, dentre outras... Pensei que essas coisas só fossem acessíveis às modelos (que nem precisam comprar), e descobri porque tantos brasileiros vêm fazer compras aqui.

Fiz dois passeios sugeridos pelo guia da National Geographic, dentre eles o do ferro fundido do SoHo:

Principal centro de ferro fundido do SoHo
Comprei um livro usado, entitulado Conversations with Myself, com cartas do Nelson Mandela. A contracapaca já chamou atenção: "In real life we deal, not with gods, but with ordinary humans like ourselves: men and women who are full of contradictions, who are stable and fickle, strong and weak, famous and infamous" (Na vida real nós lidamos não com deuses, mas com seres humanos ordinários como nós mesmos: homens e mulheres cheios de contradição, estáveis e inconstantes, fortes e fracos, famosos e infames). Em seguida é citada uma carta que começa assim: "... the cell is an ideal place to learn to know yourself, to search realistically and regularly the process of your own mind and feelings." (...a cela é um lugar ideal pra se aprender a conhecer a si mesmo, a procurar real e regularmente o processo de sua própria mente e sentimentos). Longe de estar numa cela, ainda assim estou meio isolada, então vivo esse momento de autoconhecimento. Apesar de tentar reunir toda a coragem e determinação (hein, mãe?), preciso aprender a respeitar meus momentos de fraqueza. (Perdão pelo momento intimista...)

Almocei no Elmo (http://www.elmorestaurant.com/), seguindo ótima dica do guia e à noite fui à casa do Nicky pra me despedir da Alessia, que voltou hoje pra Itália. A grande família internacional (como diz o Nicky) foi reunida no jantar preparado por ela - pasta!:

Bélgica, Alemanha, US, Itália, Brasil, Espanha, Húngria e US/Bolívia
Quando deixei a casa, vi e senti a neve que caía... Todo mundo congelando nas ruas e eu rindo feito criança...


Lá atrás é Manhattan!!!
Hoje, enfim, consegui ir até a agência do Social Security com o Ronan. Quando tiver o número em mãos será bem mais fácil de conseguir emprego... Distribuí alguns currículos no shopping daqui de Jersey enquanto o Ronan esperava do lado de fora das lojas, todo paciente. Recebi uma ligação de um restaurante em que tinha deixado currículo e fui até lá no fim da tarde. Vou fazer o coat check novamente, dessa vez sem escadas, com salário + tips, e no Cipriani (http://www.cipriani.com/) do SoHo!!! E no Avra (grego) estão só esperando meu social também!

Quero encerrar este post logo, mas tem algumas coisas que ainda preciso registrar...

Garotas, New York é o paraíso! Os homens aqui são lindos e elegantes! Ainda não sei se 60% são gays, como ouvi falar... Mas já serve de colírio! Meninos, não sei dizer quanto às mulheres, pois só reparei nas roupas: mesmo nesse frio, a moda é meia fina e short/saia curtíssimos. Ainda sobre o povo, as pessoas normalmente são educadas, simpáticas e dispostas a ajudar os outros.

Estou andando muito pelas ruas, pouco importa o frio, a distância ou a dor nos tornozelos, simplesmente amo me sentir amazed by the city.

O clima, como a Gabi perguntou... Eu ainda não tinha sentido o frio de verdade, foi só ela falar que a temperatura caiu e começou a nevar! E parece que é só o começo... Não esquece de colocar na mala hidratante, creme de mãos, e manteiga de cacau, além de luvas, meias, chapéus, protetor de orelha e o que for, principalmente pras extremidades!

Por hoje é só (só?)!
Fiquem com a vista da nossa varanda...


domingo, 12 de dezembro de 2010

Home sweet home

Enfim, uma notícia pra alegrar os corações de vocês!

Eu fui acolhida num lar brasileiro em Jersey City, à beira do Rio Hudson (sabe, onde caiu aquele avião?). O apartamento é bem aconchegante e tem uma vista maravilhosa pra Manhattan. Jersey fica a 4 minutos da ilha, e é bem mais pacata e tranquila. Quando desci do "trem" aqui senti que seria um lugar pra morar em paz. Numa comparação bem, BEM, desproporcional, é como morar em Blumenau e ter a agitação de Balneário ao lado.

Eu ainda não estou muito à vontade, afinal, a família está me fazendo um favor (gigantesco) e não sei ao certo como retribuir. Pareço uma barata tonta andando pela casa...

Bom, vou contar como cheguei até aqui.

A minha mãe fez contato com um antigo conhecido dela, que trabalha e mora em Jersey, pedindo pra me auxiliar. O Nei se demonstrou muito atencioso e solícito, respondendo nossos emails e inclusive ligando pra ela no Brasil. Ele disse que faria de tudo pra me ajudar, mesmo estando de mudança de volta. Eu escrevi falando que minha maior preocupação era com um lugar pra morar, então ele disse que eu poderia ficar na casa de uma amiga que continuaria aqui, assumindo seu cargo.

A Beatriz - mineira! - aceitou me receber em sua casa (sendo que ela está atualmente no Brasil), e pediu pro Ronan, seu filho mais velho, ajeitar as coisas. A Vitória, de 11 anos, e a Vicky (poodle de 9 anos) também estão no ap até quinta-feira, quando embarcam pro hemisfério sul.

Assim eu começo a aprender minha primeira lição: por mais que eu esteja buscando independência, a minha família é parte de mim e com ela eu posso sempre contar, mesmo a milhas de distância. Aceitar o auxílio da minha mãe e de seus contatos não significa que eu não possa sobreviver sozinha, mas que posso viver melhor quando apoiada por aqueles que me amam.

Além disso, sei que tudo na minha vida é provisão divina, o que está acontecendo vem diretamente das mãos de Deus respondendo às nossas orações. Ele me conhece, sabe da minha fragilidade e provê tudo de que necessito no tempo certo.

Pra encerrar, preciso agradecer ao Nicky por ter me aturado nesses últimos dramáticos dias em sua maison, e ainda assim me tratar com toda a gentileza do mundo, sempre fazendo graça pra melhorar o clima! Ontem jantamos no Joy Burguer Bar (http://joyburgerbar.com/), tipicamente americano e delicioso, como todas as super dicas do Nicky.

E ainda finalmente conheci o Andy (McCaleb, namorado da Mi), que veio até Jersey me encontrar! Pena que não deu pra passar mais tempo com ele, pois foi uma visita bem agradável.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Wasn't born to do that

Definetely, eu não nasci pra trabalhar como coat checker... Eu não sei dizer se estou errada, se preciso aprender alguma coisa a partir dessa experiência, mas não consigo fazer qualquer coisa só por dinheiro.

Meus tornozelos estão doendo de ficar subindo e descendo as escadas, o espaço do guarda-volumes é apertado, os outros coat checkers misturam tudo, vira uma bagunça só e no final parece que sou eu quem não está fazendo o suficiente. O pior é ver que - modéstia a parte - eu tenho mais classe que muitos dos clientes de lá... O que faço com isso?

Amanhã vou tirar o dia de folga pra tentar encontrar algum apartamento, porque estar acampada no meio da sala também me incomoda, e muito!

I'll let you know...

Hard working - 2nd day

No quinta-feira eu fui trabalhar também no período do almoço, estava sozinha fazendo o coat check... É muito cansativo! Saí as 3:20pm, com uns U$ 50.

Apesar de facilmente estar ganhando bem, eu não gosto do trabalho. Eu estou acostumada a ter meu trabalho reconhecido, e pessoas gostando de mim ao meu redor. Ali, sou apenas mais uma imigrante dentre mexicanos, romenos, iugoslavos e bangladeshianos (sei lá) que vieram tentar a vida por aqui. O meu psicológico não estava preparado pra isso...

Saí de lá e fui até a ONU tentar algum emprego. Deixei um currículo com um segurança (não me perguntem porquê!), e recebi a informação de que preciso preencher um application no site de Recursos Humanos. É o que vou fazer assim que terminar essas postagens, pois vi que tem algumas vagas em aberto!

Jantei num mercado meio árabe e comprei uma barra de chocolate Lindt que comi inteira na volta pro restaurante (com tanto sobe-e-desce de escadas e caminhadas eu posso me dar esse direito!)...

Foi mais uma longa noite de coat checker (mais U$ 110!).

Bom, não dá pra esconder que não estou muito contente... Não vejo a hora de conseguir um lugar pra mim, pois minhas malas estão no meio da sala, e meu sofá e meu saco de dormir também. Mas tenho certeza de  que tudo isso faz parte do meu crescimento e amadurecimento, e que com certeza fará de mim alguém ainda mais forte e segura.

Hard working

No terceiro dia fui até o AVRA, o restaurante grego indicado pela Marina. Conversei com o Socrates, que ficou com meu currículo e me pediu pra voltar assim que tiver meu social security number.

Saí de lá e fui encontrar o Nicky, que iria me mostrar um pouco a cidade. Havíamos combinado de estar na Grand Station, que fica perto do AVRA. Eu cheguei antes e dei uma olhada nas pequenas lojinhas que tem lá.

Quando eu estava passando, alguém me perguntou se eu morava aqui e parei pra responder. Comecei a conversar com o Seth (que estava vendendo souvenirs do New York Times). Ele perguntou se eu saberia vender, etc. Deixei meu telefone pra mantermos contato, mas agora ele quer sair comigo...

Encontrei o Nicky (não sei se ficou claro que ele é meu anfitrião...). Nós almoçamos pizza, pra variar, na Little Brazil (46th st.), depois ele me levou até a Times Square!!!, a loja da M&M's (lembrei tanto do João, Si...), o Rockfeller Center, e o Central Park!

Eu amei tanto o Central Park que pedi pro Nicky se poderíamos voltar a pé... Então vim desde o centro até o Harlem caminhando pelo parque... Foi ótimo!

À noite tive meu primeiro dia de trabalho: coat checker! É num restaurante francês (http://www.orsayrestaurant.com/) e o que faço é ficar subindo e descendo escadas, levando os casacos dos clientes para o guarda-volumes. Quando eles vão embora, pedem os casacos e deixam a gorjeta. O meu salário, por enquanto, são as tips. No primeiro dia estávamos em duas e conseguimos U$ 75 cada!

Second day

No dia seguinte, acordei (dentro de um saco de dormir, num sofá no meio da sala) com o Nicky sentado na ponta da mesa da cozinha me dando "gd'morning" - ele não estava quando cheguei. Logo de manhã fui visitar um apartamento aqui perto, e aproveitei pra conhecer a vizinhança a pé. Não gostei do ap, mas me surpreendi com o Harlem. Me sinto segura aqui...

Após, saí pra dar uma volta no centro e levei uns currículos comigo. Vivi, a brasileira, havia me falado de uma cafeteria onde  eu poderia trabalhar. Desci na estação de metrô mais próxima e saí andando... Passei na frente de um restaurante francês. Pensei, repensei, até que entrei e pedi pra deixar o currículo. O gerente veio conversar comigo e disse que eu poderia começar como coat checker, no dia seguinte, e após ter meu social security number eu seria treinada como hostess.

Um pouco mais aliviada, continuei caminhando. Eu estava na Lexington Av., com a 76th st.. De repente, acabei me deparando com uma loja da Prada, na Madison Av.. É claro que entrei e deixei meu currículo! Why not? Mais a frente, preenchi um application na DKNY! Comprei um prepaid phone e voltei pra casa.

Visitei outro apartamento à noite, no Brooklyn. As duas roommates lá são ótimas: Özlem (alemã) e Judith (austríaca). Elas me receberam de uma maneira bem acolhedora e estão procurando por alguém que integre a família, pois elas vivem num verdadeiro lar (Judith se casa amanhã, elas não são gays... rs). O problema é que estão pedindo muito pra entrar no apartamento (quase U$ 2000 - 1st month + security deposit + last month), e fica umas 2 quadras da estação de metrô... Ainda não tomei minha decisão.

Na volta, parei pra jantar na 14th st. O Nicky me sugeriu uma pizzaria, e fui direto pra lá. Foi realmente uma boa dica!!! Spinach with Artichoke na Artichoke Basille's (http://www.artichokepizza.com/).

Going back to the begining

Após um voo muito tranquilo e cheio de confiança, finalmente cheguei sã e salva a NY.

A primeira providência, após os trâmites de imigração, foi - óbvio - ligar pra minha mãe e aplacar sua apreensão. Porém, aconteceu o contrário! Ao invés de eu deixá-la calma, acabei ficando eu apavorada, pois ela disse que não estava em paz com o meu destino (couchsurfing), e que eu deveria procurar um hotel.

Naquela hora eu perdi o chão... Não sabia mais o que fazer. Estava sozinha no aeroporto e não sabia mais para onde ir. Fiquei mais de 5 horas lá... Chorando, orando e falando com minha irmã à distância.

Até que decidi seguir meu rumo, do jeito que tinha programado. Afinal, um dos objetivos da viagem foi alcançar total responsabilidade sobre a minha vida e minhas escolhas.

Eu deixei o aeroporto e peguei o metrô até a casa do Nicky. Uma mala com 2 rodas, outra sem rodas, somando 34 kg, e uma mochila nas costas com um computador! A caminho da primeira estação, fui pedindo a Deus que me ajudasse, fosse comigo e trouxesse alguém pra me ajudar...

E recebi mesmo um anjo: Lucy. Uma colombiana que mora em NY há 20 anos e ainda não fala inglês. Foi difícil nos comunicarmos, mas ela estava extremamente disposta a me ajudar e carregou as malas comigo até meu destino final, desviando do seu próprio. Depois almoçamos juntas e ela foi pra casa, sem pedir nada em troca...

Minha primeira impressão do apartamento foi de medo... Muitos jovens morando juntos (no Harlem!), a calefação não estava funcinando... Mas Lucy me disse pra voltar e passar a noite.

Foi o que fiz e conheci Alessia, a italiana que está voltando pra casa. Alessia passou pela mesma situação que eu: ela deixou seu país, família e amigos sem ter um teto na América. Ela sabia exatamente o que eu estava sentindo e entendia meu medo e a sensação de estar perdida. E assim me encorajou a continuar minha busca...

Introduction

Pra matar a curiosidade e um pouquinho da saudade de todos, decidi criar este blog.

Queiram me desculpar por prolongar a ansiedade de vocês, mas gostaria de começar agradecendo a Deus por ter me trazido até aqui, aos meus pais que possibilitaram esta viagem, a minha preciosa irmã que é sempre meu refúgio, e a todos os queridos amigos que apoiaram a ideia desde o início.

Tenho certeza que muitos de vocês, assim como eu, acharam que eu estava fazendo uma loucura: tínhamos razão!

Bom, a princípio pensei em escrever só coisas legais pra não preocupar ninguém... mas o que quero, na verdade, é ter um relato fiel da minha estadia na Big Apple. Portanto, não vou poupá-los das minhas angústias! Espero que compreendam e continuem sendo solidários, deixando seus recados! Preparem-se...