Desde que eu cheguei a Big Apple já tivemos 2 tempestades de neve, e sei que isso preocupou minha família e amigos no Brasil.
Na primeira (26/12) eu estava no Woodbury, um centro de outlets nas proximidades... Despreparada e desacostumada, eu havia saído de casa com meu tênis de corrida (daqueles furadinhos). No final da tarde começou a nevar bastante, o que não encerrou a maratona de compras. Quando nos reunimos pra voltar pra casa (a Vivi, o Ronan e eu) a neve já tomava conta de toda a superfície e meus pés ficaram gelados. Ainda tivemos que caminhar sob a tempestade até o taxi que nos levaria até a estação de trem. Lá ficamos por quase meia hora, molhados, no frio, em pé, dentro de uma espécie de "cela", onde todos os estrangeiros consumistas de plantão faziam a mesma coisa, cheios de sacolas. Mais 1h de trem até a próxima estação, dormindo... Precisávamos trocar de trem, mas a outra linha estava desativada por causa do temporal. Eu quase chorava com medo de perder um ou alguns dedos. Meus amigos só confessaram a preocupação quando estávamos seguros em casa, antes tentavam me entreter. Pegamos outro tipo de trem, que para um pouco mais longe de casa. De lá nós andamos. As pernas afundavam na neve, o vento soprava forte e os flocos ainda caíam. Mochilas nas costas e sacolas nos braços... Com neve quase até os joelhos, eu olhava pra Vivi e começava a rir. Apesar de sofrida, a experiência até que foi engraçada, e felizmente todos chegamos inteiros!
A outra nevasca foi mais recente. Eu estava trabalhando no Cipriani e recebi uma mensagem do Ronan: "Tenta voltar mais cedo porque vai nevar". Já era tarde... Continuei meu turno até o final. Por alguns segundos tive que pegar outra linha de metrô pra voltar e acabei parando na estação errada. De novo tive que andar em meio a tempestade - de botas, dessa vez. Precisava ficar olhando pro chão, pois a neve não permitia que eu mantivesse a cabeça erguida. Enquanto andava, admirei a sombra que os flocos íam fazendo na neve já caída e me sentia agradecida por aquele espetáculo da natureza, ao mesmo tempo que continuava aborrecida por ter de enfrentá-lo de madrugada. Perdi o trem que atravessa o Rio Hudson até Jersey City, e fiquei lendo uma revista cristã por quase 40 minutos, questionando o porquê de passar por essas coisas... Quando saí da estação, um único taxi me esperava, somente ele estava trabalhando durante o temporal, inúmeras vezes eu dizia: Thank God!
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